Título Original: Lord of Scoundrels

Série: Canalhas (Livro #1)

Autor(a): Loretta Chase

Editora: Arqueiro

Número de Páginas: 288

Ano: 2015



Lorde Dain perdeu a esposa e seus quatro filhos para o tifo, uma  doença infecciosa que causa febre alta e erupções cutâneas. Mesmo que já não fosse tão jovem, era o atual patriarca de uma linhagem muito rica e distinta, os Ballisters, e se esperava que ele gerasse outro herdeiro, para, futuramente, cuidar dos bens da família. Quando Lorde Dain desposa a filha de um nobre florentino, chocando a todos, devido às origens da moça, ele espera que ela seja dócil e o obedeça cegamente, o que se prova uma vã expectativa. A garota é mimada e exigente, porém, no final das contas, acaba cumprindo seu dever para com o casamento: gera o herdeiro de Lorde Dain.

O récem-nascido, porém, tem um nariz enorme, e é tão feio e desproporcional que Dain custa a acreditar que é mesmo o seu filho. Mas a marca de nascença em uma das nádegas do bebê não mente: aquele é o herdeiro que pelo qual o Lorde tanto ansiava. A criança, batizada de Sebastian, mal teve contato com o pai durante a infância, e as únicas demonstrações de afeto que lhe foram proporcionadas vieram da mãe. Desde pequeno, acreditava que havia algo de errado com ele, pois não era parecido com as figuras que via nos livros ou pinturas, exceto os diabinhos.

Quando o garoto tinha 8 anos, sua mãe lhe disse que iria viajar por algum tempo, mas logo, ele descobriria que era para nunca mais voltar. Assim que seu pai o chamou ao escritório para conversar, o jovem Sebastian ouviu sua mãe ser chamada de Jezebel, uma criatura maligna e demoníaca, e foi despachado, o mais rápido possível, para uma escola. E, na instituição, ele aprendeu de tudo, menos como ser um lorde prestigioso. Os garotos de lá só pararam de importuná-lo quando ganhou uma briga que teve com outro dos estudantes. Havia se tornado o demônio em pessoa, tanto por dentro quanto por fora.

Algum tempo depois de entrar na escola, foi informado de que sua mãe havia morrido, e, anos depois, o mesmo aconteceu com seu pai. Agora, Sebastian era o Lorde Dain, mais conhecido como Lorde Belzebu, e apesar de ser um libertino, aprendeu como cuidar de suas propriedades e fazer o dinheiro se multiplicar. Responsabilizou-se, e muito bem, pelo patrimônio que herdou, e também conquistou o que poderia se chamar de "amigos". Ou, melhor dizendo, companheiros de farra.

Um desse amigos é Bertie Trent, um nobre inglês, porém, de cabeça fraca. Quando a má influência de Dain começa a prejudicá-lo, tanto pessoal quanto financeiramente, quem vem em seu socorro é a irmã, Lady Jessica Trent, acompanhada da avó. Contudo, ela não é nada parecida com o que se espera de uma moça do século XIX: sabe negociar e barganhar, é inteligente, sonha em comandar o próprio negócio e atira melhor do que muitos homens. E, também, acabará fazendo o que nenhuma dama respeitável daquela sociedade se atreveria a fazer: se envolver com Lorde Dain.



Nada contra romances históricos, mas eu sempre os achei um pouco clichês. Uma protagonista feminina forte e um nobre rico carrancudo (ou até mesmo algum plebeu) se apaixonam, contra todas as expectativas. Não vou dizer que O Príncipe dos Canalhas foge dessa fórmula, mas consegue seguir ela de uma forma única. Foi uma ótima experiência no quesito romance de época. Além de ser bem escrito, o humor do livro é muito bom, mesmo. Não teve um só capítulo em que eu não ri de alguma frase ou situação, principalmente as provocadas pela Jessica. 

E, sério, quem não gosta de ver aquele cara, segundo a própria autora, canalha se apaixonar? Acho que é muito legal ver a mudança que o amor pode provocar em alguém, ao menos, sei que eu adoro ler sobre isso. Tudo bem que o romance aconteceu meio rapidamente, o que, de certa forma, já era esperado, pois a obra é um romance e a Loretta queria apresentar aos seus leitores cenas de paixão, além das conversas bem-humoradas e do cenário de época, mas ele poderia ter sido mais bem explorado.

Falando no pano de fundo que O Príncipe dos Canalhas nos traz, simplesmente adorei a narração feita de Paris e dos arredores. O mais interessante de tudo, talvez, é que não foi criado um cenário totalmente idílico, alguns dos problemas daquela época, até mesmo, foram expostos. Confiem em mim: essa paisagem, mesmo que um pouco suja, é encantadora, à sua própria maneira. O melhor é que não são apenas as cidades que foram bem descritas, e sim o livro inteiro. Fazia tempo que eu não lia uma obra com tanta avidez assim.

Os personagens são bem caracterizados, mesmo que seja difícil crer que uma dama tão independente como a Jessica possa ter vivido no século XIX. Eu, certamente, espero que isso tenha acontecido, mesmo que em uma escala menor. Ela, com certeza, seria uma amiga surpreendente. Sebastian também não é tão mau e devasso quanto gosta de pensar que é, e os dois levam a história inteira muito bem. Só é uma pena que os personagens secundários não tenham tido a devida atenção que mereciam, no máximo, os seus 15 minutos de fama, quando poderiam ter sido melhor desenvolvidos.

Achei a capa de O Príncipe dos Canalhas linda, mesmo que não seja uma representação acurada de Jessica e Dain. Pelo menos, o vestido da modelo é levemente pavoroso - uma das minhas novas palavras favoritas. Os capítulos tem o tamanho certo, e, embora sejam corridos (no caso, um novo capítulo começa logo abaixo do anterior), acabei me acostumando com esse tipo de diagramação. Também é muito bom o fato de que o livro tenha vários pontos de vista, e, acredito que a essa altura, vocês já sabem o quanto eu adoro isso. Enfim, mal posso esperar para ver o que nos aguarda no próximo volume!


12 Comentários

  1. Hey!

    Não li nenhum livro da série, mas já ouvi falar muito sobre eles...

    Concordo que a maioria dos romances de época são clichês e previsíveis quando se diz respeito ao romance. Ou as garotas são fortes e destemidas, ou são donzelinhas em apuros... O que me fascina nesse gênero é a história como um todo. O modo como é abordado... Por exemplo, Perdida é um romance de época, mas tem várias outras facetas, o que faz dele uma coisa única e linda... Hahaha.

    Beijos,

    http://tordodemorango.blogspot.com.br/

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    1. Oi Midi!
      Ah, mas esse é o primeiro, ao menos aqui no Brasil!
      Pois é amiga, falou o que eu pensava também, mas, querendo ou não, cada livro acaba sendo único por algum fator, presença ou história que só ele tem.
      Ah, quero muito ler Perdida, só falam bem dessa série da Carina Rissi e deve ser mesmo um "romance de época" ótimo, haha, já que a protagonista é do presente.
      Beijos!

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  2. Da série li só esse, por que a capa do outro me desmotivou. Mas esse é maravilhoso. O humor que a Loretta jogou nesse livro foi maravilhoso. O retrato da sociedade altamente preconceituosa também.
    Amei como foi desenvolvido o casal, são super fofos.

    www.primeiras-impressoes.com

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    1. Sério, Mary? Achei as duas capas lindas, mas, enfim, peço que não deixe a capa te desmotivar, viu?! Já li a sinopse de O Último dos Canalhas e tem tudo para ser um livro tão legal quanto O Príncipe dos Canalhas.
      Sim, a Loretta fez um livro e tanto, misturando vários elementos que resultou em uma história demais! Sim, eles são fofos, quando não estão tentando se matar ou envergonharem um ao outro, hahaha.
      Não deixe de ler o próximo também </3

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  3. Gosto muito dos romances de época por ser clichês, adorei saber que se passa na antiga Paris, pois adoro viajar através dos livros. Acredito que irei gostar bastante desse.

    www.eucurtoliteratura.com

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    1. Ai que bom então, Tainan! Você realmente vai adorar O Príncipe dos Canalhas então, porque tem tudo o que você gosta, haha.
      Beijo!

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  4. Não conhecia muito sobre o livro, mas me interessei pela leitura, adoro romances clichês e esse tem cara que ser muito legal.

    Beijos:*
    Escritas na Chuva

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    1. Ah, que bom que eu pude te apresentar ele, então!
      Ele é realmente bem legal, Dani, acredito que iria gostar mesmo! Beijos.

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  5. Oi Re!
    Ebaaa, você está se aventurando pelos romances de época! Fico feliz que este tenha te agradado tanto e espero que possamos trocar figurinhas agora haha. Esse eu não posso opinar muito porque ainda não li, mas ele está na minha lista de desejados e assim que der vou ler!
    Adoro quando temos uma mocinha a frente do seu tempo e esses são meus romances de época favoritos!! Espero ler esse em breve.
    Parabéns pela resenha!!
    Beijos,

    versosenotas.blogspot.com.br

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    1. Oi Bá ^-^
      Pois é, porque não, né?! Sim, essa é uma ótima ideia, haha. Não deixa de ler, viu, você que adora romances de época, com certeza vai gostar de O Príncipe dos Canalhas.
      Eu gosto também, mas parece repetitivo, sabe? Como se só existisse esse tipo de garota, basicamente, quando sabemos que é bem o contrário...
      Obrigada linda, que bom que gostou! Beijos.

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  6. Pois é amiga esse livro é especial oara mim. Primeiro essa capa mais que perfeita, amoooo (apesar de não representarem os protagonistas, mas casais da época). Segundo como você mesma destacou ele segue um caminho original e com um humor maravilhoso. Além de cenas onde a "mocinha" "sai no braço" qnd precisa. Essa autora é uma das melhores no estilo.
    Que máximo que você gostou tanto desse livro, eu também amei!!! E lembro com carinho de seus personagens. Um dia quero reler!!!
    Enfim foi ótimo ler sua resenha, beijos linda!!!!

    Leituras, vida e paixões!!!

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  7. Pois é amiga, me sinto como você em relação a capa: adoro, mas os protagonistas poderiam ter sido melhor representados.
    Ah, que ótimo saber disso! Pois é, eu gostei bastante da Loretta, e fico feliz que ela seja boa no que faz.
    Agora eu quero ler o próximo, haha. Não tenho certeza se você já leu, mas com certeza irei trazer a resenha também.
    Que bom que gostou, Aline! Beijos.

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